Gripe aviária e biossegurança

Categoria: Geral | Publicado: segunda-feira, fevereiro 29, 2016 as 08:53 | Voltar

A família da variedade Altamente Patógena da Gripe Aviária H5N1 (HPAI = sigla em inglês para Highly Pathogenic Avian Influenza), detectada no final de 2014 em aves selvagens e migratórias nas rotas de migração do Pacífico, Central e do rio Mississippi de dezembro do ano retrasado, em conjunto com a Gripe Aviária de Baixa Patogenicidade (Low Pathogenic Avian Influenza – LPAI), resultou na variedade euro-asiática vigente, que infectou aves de criação nos dois últimos anos.

Naquela época, o surto estava fora de controle: o vírus HPAI foi encontrado em mais de 200 plantas e em cerca de duas dúzias de estabelecimentos de avicultura familiar, segundo esta lista, disponível apenas em inglêsIsso resultou na diminuição de população de 7,5 milhões de perus e 42,1 milhões de aves poedeiras e galinhas jovens, com um custo estimado de US$ 950 milhões (cerca de R$ 3,8 bilhão).

Os números devastadores do surto de 2015 fizeram com que as empresas reestruturassem seus programas de biossegurança e adicionassem medidas de segurança, em âmbito nacional, a fim de evitar mais problemas. Felizmente, o APHIS (sigla em inglês para Animal and Plant Health Inspection Service, que, na tradução livre, significa "Serviço de Inspeção Fitossanitária e de Sanidade Animal") dispunha de medidas de controle para doenças como as citadas anteriormente em seus "Programas de Resposta e Prevenção contra Doenças que Acometem Animais Estrangeiros" (tradução livre de Foreign Animal Disease Preparedness and Response Plans – FAD) – disponível em PDF e somente em inglês neste link, bem como nos programas de Gestão de Continuidade Empresarial/Fornecimento de Alimentos Seguros) com o intuito de mitigar perdas em razão do surto supracitado.

Para lidar melhor com esses entraves, o APHIS centralizou seus esforços por meio desses programas de combate à gripe aviária em quatro setores:

1) prevenção ou diminuição de possíveis surtos;

2) melhor preparo;

3) capacidade aperfeiçoada e otimizada de dar respostas combativas ao vírus; e

4) preparação para o possível uso de vacinas contra a gripe aviária.

Mais informações sobre esses programas podem ser encontradas apenas em inglês nestelink.

Medidas de biossegurança revistas

A boa notícia é que o pico, nos casos registrados no começo do ano passado, teve uma queda devido à ocorrência de temperaturas mais frias, melhoria das medidas de biossegurança e fornecimento de mais informações aos funcionários quanto aos sinais e sintomas para a detecção desse vírus logo no início de sua ação: todas essas práticas podem auxiliar a evitar a disseminação da gripe aviária de bando para bando.

Dado que a biossegurança é a melhor defesa na prevenção desse surto, o APHIS,juntamente com outras organizações norte-americanas da indústria avícola, como a Federação Nacional do Peru (National Turkey Federation), cujo site é Conselho Avícola dos EUA (National Chicken Council) e Associação dos Produtores de Ovos (United Egg Producers), com a ajuda de membros, veterinários e outras pessoas, revisaram e reforçaram respostas combativas e medidas de biossegurança.

Devido ao fato de essa família recém-descoberta do vírus da gripe aviária ter infectado as aves muito rapidamente, medidas de segurança utilizadas no passado precisaram ser revistas e fortalecidas para garantir que as aves permanecessem seguras durante períodos de pico da possível infecção. Mesmo assim, aves selvagens foram responsáveis pela introdução do HAPI na avicultura estadunidense. Registros epidemiológicos do APHIS indicaram que os fatores de risco mais comuns incluíam o compartilhamento de equipamentos entre granjas, entrada de aves pequenas nos galpões, proximidade com outras granjas infectadas e reaproveitamento de aves mortas. Com base nessas informações, medidas de segurança extras foram implementadas para evitar a disseminação do vírus.

Medidas de segurança adicionais

A maioria das mudanças nas medidas de biossegurança referem-se à biossegurança operacional e se centraram não apenas na prevenção da disseminação de granja para granja, mas também na prevenção da disseminação de galpão para galpão. Essa foi uma mudança em relação às medidas de biossegurança anteriores, que focavam a biossegurança na granja, ao invés da biossegurança nos aviários.

Medidas de segurança adicionais que foram delineadas e descritas pela Federação Nacional do Peru incluem: proteção de comedouros externos a fim de garantir o acesso de aves selvagens e migratórias; criação de um sistema "holandês ou dinamarquês de entrada de aves", que inclui uma "antessala", ou "área limpa" antes da entrada de pessoal em quaisquer regiões da granja, favorecendo que os funcionários troquem as botas ou façam outros tipos de troca de roupas protetoras; criação de um programa de biossegurança, documentado, específico para cada galpão, com o intuito de evitar a transmissão do vírus de galpão para galpão; concepção de um perímetro protetor para reduzir a circulação de aves perto dos galpões( contudo, o fluxo de aves pode ser disposto fora desse perímetro para dar mais espaço aos animais, evitando-se a transmissão do vírus); e tratamento da água de poços para eliminar qualquer fonte de contaminação possível.

Como medida de responsabilidade, o APHIS anunciou que uma medida provisória acerca de indenizações em decorrência do vírus Altamente Patogênico da Gripe Aviária conterá um processo auto-certificatório em benefício de produtores comerciais avícolas que tiveram suas aves infectadas por essa família do vírus para assegurar que medidas de biossegurança estejam à disposição quando o HPAI for detectado. Esse sistema servirá, então, como uma base para o futuro desenvolvimento de um sistema fiscalizador de biossegurança tanto em toda a indústria avícola quanto na totalidade de todo o Programa Nacional de Melhoria da Avicultura (tradução de National Poultry Improvement Plan – NPIP).

Outros programas preventivos que estão à disposição por meio do APHIS abarcarão uma inspeção mais minuciosa de aves selvagens, que inclui a detecção e monitoramento da gripe aviária nos EUA. O processo todo começou em julho do ano passado e as informações serão compartilhadas com produtores avícolas para ajudar a reforçar as medidas de biossegurança em prol de um gerenciamento de risco mais bem feito. O relatório de inspeção “Wild Bird Highly Pathogenic Avian Influenza Cases in the US” (tradução livre: "Casos de Gripe Aviária Altamente Patogênica em Aves Selvagens nos EUA"), disponível apenas em inglês neste link, é atualizado semanalmente no site do APHIS.

Possibilidades de vacinas contra a gripe aviária

Dado que o Departamento de Agricultura dos EUA, bem como as indústrias estatais e avícola estão se preparando para um retorno do vírus, tem-se dado muito destaque para as medidas de biossegurança e para as vacinas. Uma das principais preocupações no uso das vacinas, porém, é a capacidade de exportar o produto para o exterior. Além disso, o Departamento de Agricultura dos EUA não aprovou o uso da vacina, embora a agência disponha de contratos assinados com empresas fabricantes para começar a produção no caso da aprovação de seu uso.

Vacinas já disponíveis no mercado não são compatíveis com o material genético dos surtos vigentes de gripe aviária. Consequentemente, ainda é preciso concluir pesquisas em andamento. Antes que a vacina seja aprovada, o Departamento de Agricultura dos EUA vem estipulando o tipo de operação avícola afetada, incluindo a extensão e taxa de disseminação da gripe aviária, a eficácia de medidas de combate, o impacto em mercados internos e externos e a potência e disponibilidade de possíveis vacinas.

Uma vacina contra a gripe aviária pode ser um componente importante no controle do surto, porém nunca substituirá as ótimas medidas de biossegurança, dado que as vacinas, antes de tudo, não impedem que as aves sejam infectadas. As vacinas diminuiriam, no entanto, a carga viral presente nos galpões, que poderia ser dispersa no ambiente devido à presença de uma ave infectada.

Considerações finais

O surto de HPAI de 2015, um dos maiores que já acometeram a saúde animal em toda a história, deu à indústria avícola a oportunidade de redobrar seus esforços quanto a práticas de biossegurança e inspeção. Já havia programas eficazes à disposição nessa época, e a extensão dos danos causados pelo surto, embora grande, poderia ter sido bem pior.

A produção de peru estava programada para voltar à normalidade no começo deste ano; e a produção de ovos, dentro do intervalo de um ano e meio. A indústria avícola está mais preparada do que nunca para agir e controlar outro possível surto de gripe aviária nos Estados Unidos.

Já estão em andamento pesquisas e coleta de informações acerca de novas tecnologias e avaliação de riscos e, além disso, a comunicação entre agências nacionais e a indústria avícola é coordenada e eficaz. Consequentemente, o panorama da indústria avícola continua sendo promissor.

Autora: Christine Z. Alvarado é professora associada em ciência avícola na Universidade de Texas A&M (Estados Unidos)

Publicado por: kventorim@semagro

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