Introdução

Sobre Educação sanitária e ambiental

Em uma concepção mais geral, educação sanitária é o nome dado às práticas pedagógicas de ensino/aprendizagem que têm por objetivo induzir o público alvo a adquirir hábitos saudáveis que promovam saúde e impeçam a doença.

Não existe um conceito puro de educação sanitária/ambiental, porque ela converge de áreas do conhecimento como educação, saúde, trabalho, cultura, meio ambiente e outros. Dessa forma, o conceito tem características polissêmicas, preservando uma relação de sentido entre as palavras de origem e o objetivo educativo.

O termo educação sanitária foi apresentado em 1919, numa conferência internacional sobre a criança nos Estados Unidos.  No Brasil, a educação sanitária passou por períodos de turbulência devido ao contexto social e político e a partir da década de 1980 o termo educação sanitária deu lugar ao termo educação em saúde, porque acreditava-se que a educação sanitária representava um poder “regulador, normatizador e disciplinador que utilizava ações educativas no modelo informação-mudança de comportamentos, evidenciando a necessidade da transmissão de conhecimentos, pois o público alvo era entendido como “tábula rasa”.

Portanto, a nomenclatura e a prática de educação sanitária são historicamente construídas, assim como a educação ambiental. E vêm articuladas com os estudos dos campos das ciências humanas, sociais, econômicas e políticas, apresentando mudanças muito significativas em termos conceituais e práticas.

A educação sanitária praticada por muito tempo e que ainda hoje tem resquícios, é a educação bancária descrita por Paulo Freire na obra Pedagogia do Oprimido (1987) como um ato de depósito de conhecimentos, ou seja o educador é um depositante e o educando um depositário. Becker (1993) classificou esse modelo de educação como pedagogia diretiva que privilegia a transmissão do conhecimento, desconsiderando o saber do educando.

Nesse tipo de educação a característica mais marcante é o didatismo e a assimetria, citada por Flores (2007) que na primeira não leva em consideração a situação social dos indivíduos envolvidos e na segunda as ações educativas acontecem no saber e na informação direcionada para desenvolver hábitos e comportamentos saudáveis. O educador é o “que sabe” e o educando o “que desconhece”.

Nessa perspectiva o educador não consegue entender porque os educandos não adotam as práticas ensinadas. Cria-se ai um obstáculo que isola o senso comum do conhecimento científico.

Esse obstáculo pode ser vencido a partir do momento que o educador buscar a proximidade entre o senso comum e o saber científico, utilizando a transposição didática do saber científico e disciplinar para o saber a ser ensinado fazendo uso da interdisciplinaridade para alcançar melhor resultado.

Dentre muitos estudos realizados no campo da educação está a corrente pedagógica construtivista que explica que o conhecimento é construído e que a inteligência humana se desenvolve pela interação mútua entre o indivíduo e o meio.

É nessa afirmação que a educação sanitária da IAGRO organiza suas ações educativas.

A educação sanitária/ambiental é uma prática pedagógica que reafirma o diálogo de saberes, baseada na ação dialógica e horizontal entre sujeitos envolvidos. O respeito aos valores culturais, a organização comunitária, as crenças e as experiências vividas são o caminho mais curto para transformar a realidade.

Para transformar a realidade é preciso educar. A educação desperta a cidadania, que é construída a cada passo dado na direção do aumento do conhecimento. A educação voltada para a formação do cidadão transforma-o num participante ativo nas relações sociais e na resolução dos problemas globais e locais.

O conhecimento liberta o indivíduo e o torna autônomo.  E quando alguém se torna autônomo, consciente dos direitos e deveres em relação ao ambiente e a sociedade em que vive, ocorre a práxis definida por Paulo Freire (1987) como junção da prática, da teoria e a reflexão. Constrói-se a habilidade de refletir e agir sobre uma realidade a ser transformada.

Referências:

FREIRE, Paulo. A Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987

BECKER, F. Educação e construção do conhecimento. Porto Alegre, RS: Artmed Editora, 2001

Flores, O. A educação em saúde numa perspectiva transformadora. In: Brasil. Fundação Nacional de Saúde. Diretrizes de educação em saúde visando à promoção da saúde – Brasília: Funasa, 2007.